Juniores em extinção!

Junior

Lendo um post do Fabio Akita em seu blog da info: Gestão 2.0 sobre restrição de internet nas empresas, ele escreve algo como: “Mas estou considerando apenas desenvolvedores sêniors, aliás, para quê você, gerente, quer tanto júnior na sua empresa?“.

Isso me fez lembrar as minhas visitas a sites de empregos, como apinfo.com.br, netcarreiras.com, etc. Cade as vagas para Jr? Hoje o que encontro são dois extremos: Vagas para estagiário pagando bolsas ridículas e vagas para Sr. exigindo cinquenta siglas diferentes, que quem está anunciando a vaga não faz idéia do que signifiquem nem 2% delas.

É fato que uma empresa que contrata estagiários e juniores tentando economizar dinheiro está no mínimo dando um tiro no pé. Até porque de fato programadores com uma vasta experiência tendem a resolver problemas na maioria das vezes de forma mais rápida e principalmente eficiente. Porém nem sempre este é o cenário na vida real.

Pelo que eu entendi do post do Fabio, a idéia dele é que programadores Sr. sabem resolver os problemas, enquanto programadores Jr., Pl., ou estagiários estão lá apenas completando equipe, sem de fato produzir algo consistente. Ou então estão apenas traduzindo em código o que algum Sr. já pensou antes.

Mas será realmente esse o cenário real? Vou utilizar um exemplo: eu :D. Nos dois últimos projetos em que participei, ambos para uma instituição financeira que não importa aqui. Um deles era 100% em ANSI C, voltado a transações bancárias. Eu participei ativamente desenvolvendo (não apenas codificando pensamentos alheios) o sistema, ele foi executado de forma eficiente e foi entregue para o cliente bem antes do esperado. E não era um sisteminha trivial de cadastro de produto. O segundo projeto é 100% Java EE, utilizando uma miscelânia de frameworks impostos pelo cliente. Ele ainda está correndo e aparentemente tudo bem. Este eu também estou participando ativamente junto com desenvolvedores Pl./Sr.. Ambos os projetos conversam diretamente com mainframe e utilizam DB2 como banco de dados.

A questão descrita acima não é querer dizer que sou melhor nem pior do que qualquer outra pessoa. Aliás, realmente acredito que somente a prática leva alguém a ser tornar bom em algo, e eu estou muito longe de chegar a ser um ótimo desenvolvedor. Porém não sou um péssimo profissional, procuro sempre dar o meu melhor, além de sempre estudar, seja final de semana, feriado, madrugada, etc.

Eu acredito que o que difere um bom de um mal profissional são duas coisas: Gosto pelo que faz e prática (ter pessoas muito melhores que você por perto sempre ajuda também). A grande questão é conhecer o que acontece, visualizar soluções, e não conhecer a 1098º linha do pacote X de determinada linguagem. Aliás, conhecer bem determinada linguagem é muito bom, mas saber pensar independente de plataforma é muito melhor!

Claro que essas visões e pensamentos pré/pós-conceituosos tem fundamento e realmente há uma quantidade de profissionais que fazem valer esses conceitos. Infelizmente já ouvi diversas pessoas falarem coisas que ao meu ver, são ridículas como: “Eu só consigo fazer isso porque é em linguagem X, se fosse em Y eu não saberia”, ou pessoas de 4º, 5º, 6º semestres que pretendem seguir carreira em desenvolvimento levando pau em provinhas que pedem conceitos básicos que qualquer um deveria saber.

O que realmente falta, não são pessoas com X anos de experiência ou com conhecimentos em 23948 linguagens e todos os seus frameworks e bla bla bla, o que realmente falta são pessoas que sabem pensar.

Claro que eu usei um sentido um pouco distorcido do que o Akita falou, e aqui vai um comentário do próprio autor no seu blog, e que diz EXATAMENTE o que eu acredito:

Você tem razão, é mesmo uma forma de “provocação” 🙂 Mas fique tranquilo, a idéia não é que “todo júnior é ruim”. O que é ruim são os que são chamados “sênior” mas não tem mais capacidade do que um “júnior”. Os bons “júniors” deixam de ser júniors muito rápido. Vou dar dois exemplos dessa nova geração. Na comunidade temos o José Valim, que sequer saiu da faculdade ainda e hoje ganhou o direito de fazer parte da equipe Rails Core pela sua enorme contribuição ao código do Ruby on Rails. Ele é de longe um dos melhores desenvolvedores que existem. Outro grande exemplo é o Fabio Kung, que tem só 25 anos e além de ser um desenvolvedor excepcional é Gerente de Projetos da área de Cloud da Locaweb. Como pode ver, um bom desenvolvedor normalmente já deixou de ser júnior logo que sai da faculdade porque já tem experiência anterior, especialmente em projetos open source. O pior é aquele que ainda é “júnior” anos depois de formado. Pior ainda, aquele que é carreirista, escala para cargos mais altos mas tem baixa capacidade – e todo bom desenvolvedor sabe detectar esses tipos.

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